Vendo Alagoas
   A Saúde Brasileira é Saudável ou Doente? É Pobre ou Rica?

 

Eu estava no interior do Estado, especificamente na cidade de Delmiro Gouveia, de quarta à sexta feira, no meu trabalho, apenas de prontidão para atender a qualquer chamado no alto sertão de alagoas, já que sou Bombeiro Militar. Pois bem, eis que recebemos um chamado na quarta feira, dia 15/04/2010, que por sinal foi o primeiro de muitos outros chamados complicados que tivemos no dia, que parececia tranquilo até então, mas isso não importa, visto que essa ocorrência que houve no fim da tarde é o tema deste texto.

Recebemos a informação que uma senhora estaria passando mal e com falta de ar, já em estado avançado, inconsciente, com isso, nos deslocamos o quanto antes e chegamos rápido ao local, visto que a cidade é pequena. Chegando lá, nos deparamos com um táxi que estava encaminhando a vítima para algum local. Logo, a vítima tornou-se nossa paciente, a tiramos do veículo e a colocamos na prancha, observando nesse momento que ela estava com Parada Cardiorrespiratória (PCR). A colocamos na viatura já realizando os procedimentos de Ressucitação Cardiopulmonar (RCP), imediatamente percebemos que ela estava em estado grave e seria difícil mantê-la com vida, porém, como sabemos que era possível e lutamos pela vida enquanto houver esperança, continuei realizando massagem cardíaca enquanto outro Bombeiro realizava a insuflação.

Continuamos daquela forma por um tempo próximo a 10 minutos, durante o percurso até o hospital, passando pelas complicadas ruas do município, cheias de lombadas e buracos, mas tudo bem, chegamos o mais rápido que pudemos ao hospital, ainda realizando o procedimento que fomos treinados para fazer, colocamos a paciente na prancha, que um Bombeiro foi buscar, já que parece não existir maqueiro no hospital local, a levamos imediatamente para a sala de atendimento de urgência, ainda realizando RCP, tentando manter a circulação sanguínea.

Certo, eis que "cumprimos nosso papel", tentando manter a sobrevida da paciente durante todo o tempo. A entregamos nas mãos dos profissionais responsáveis pelo atendimento a partir de então, os técnicos e enfermeiros chamaram o médico imediatamente, que veio de certa forma rápido até o local, observando a paciente e dando o diagnóstico e as diretrizes rapidamente: "Ah, está morta, já morreu, não temos mais o que fazer, está morta." Dando ênfase a morte da vítima.

Claro, ele é médico, pode atestar óbito, assim como fez, mas...

Olhamos para um canto da sala e vimos um desfibrilador, aquele equipamento que normalmente as pessoas veem nos filmes, que é colocado no tórax da vítima, dando-lhe uma descarga elétrica, que pode fazer o coração voltar a pulsionar sangue pelo corpo, fato que estávamos tentando o tempo todo, mesmo sem ter este equipamento, apenas com nossas mãos e boa vontade.

Ora, passamos muitos minutos tentando "reviver" a paciente, por que o médico não poderia "perder" um ou dois minutos? Mesmo que acreditasse não haver esperança, por que não o fez em respeito a nós, que tentamos tanto manter a vítima com vida, nos estafando, suando, desequilibrando dentro da viatura enquanto ela ia em direção ao médico? E principalmente, por que não o fez em respeito à família da paciente e à sua vida?


Isso me faz pensar em porque pedem tanto investimento na saúde... no porque de se comprar um desfibrilador que ficará desligado quando deveria ser utilizado em muitas situações... quer dizer que se eu for atendido com PCR, não tenho o direito de que lutem por minha vida até o fim, esgotando-se as possibilidades?

Enquanto isso, nós lutamos para salvar vidas e sequer temos equipamentos compatíveis com nossa vontade, não que os hospitais devam ser 'desequipados', mas parece haver muita inversão de valores em nosso país, o que deve ser feito, não é, e quando é feito, não dão o devido valor. Será que o problema da saúde no Brasil é somente a falta de investimento? Será que é só o mal direcionamento do dinheiro?

Enquanto não sabemos responder estas dúvidas, outros responderão com suas vidas!!!

Já voltei pra Maceió, estou em casa, mas logo estarei em Delmiro Novamente.

Um viva ao Brasil e aos brasileiros!!!



Escrito por Leandro Barros Mcz às 00h28
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